O Google suspendeu 24,9 milhões de contas de anunciantes em 2025. E o prazo para recorrer caiu para 6 meses.
Em 15 de setembro de 2026 o Video Advertising Bureau, entidade que representa as empresas de TV nos Estados Unidos, distribuiu à imprensa um material de treze páginas com os números de fiscalização do Google. Os dados não são novos nem são da entidade: saíram dos relatórios de segurança de anúncios publicados pelo próprio Google em abril de 2026, sobre o ano de 2025. São 8,3 bilhões de anúncios bloqueados ou removidos e 24,9 milhões de contas de anunciantes suspensas no mundo, das quais 3,3 milhões nos Estados Unidos. O Google não publica recorte por país para o Brasil, então não existe número brasileiro para citar aqui.
A tese da entidade é que esse volume prova que o ambiente do Google é cheio de anunciante mal intencionado, e ela compara as 3,3 milhões de contas suspensas com os 86,8 mil anunciantes que passaram na TV americana no mesmo período. Essa comparação é argumento de parte interessada, não medida. Ela coloca lado a lado coisas diferentes: um sistema de cadastro aberto, onde um mesmo operador abre dezenas de contas para fugir do bloqueio, e um mercado de TV vendido por negociação com um punhado de vendedores. O próprio Google registra que suspensão caiu de 39,2 milhões em 2024 para 24,9 milhões em 2025, queda de cerca de 36%, e informou em novembro de 2025 ter reduzido em mais de 80% as suspensões aplicadas por engano. Os números são reais. A moldura em volta deles tem dono.
O que interessa para uma empresa pequena ou média que anuncia no Google é o que mudou nas regras em 2026, e são duas coisas com data. A primeira: desde 21 de julho de 2026, o Google não aceita mais recurso, feito de dentro da conta, contra decisão de política tomada há mais de seis meses. A mudança saiu em uma linha na central de ajuda, sem aviso prévio, e vale também para o que já estava aplicado na conta. O relógio conta a partir da data da punição, não da data em que você descobriu. Quem herda uma conta de outro fornecedor, quem trocou de agência ou quem só olha a aba de políticas quando a verba cai já pode estar fora do prazo sem saber.
A segunda mudança é mais silenciosa e por isso mais perigosa. Em junho e depois em agosto de 2026 o Google ampliou a política de entrega limitada de anúncios, que saiu da Busca e do YouTube e passa a valer para todo o Google Ads, com implantação gradual até 2028. Aqui a punição não é reprovar o anúncio, é reduzir as impressões de quem o sistema classifica como anunciante não qualificado. Os sinais que pesam nessa classificação incluem tempo de conta, situação da verificação de anunciante, histórico de política e reclamações de usuários. Ou seja: a campanha continua aprovada, o painel não acusa erro, e a entrega simplesmente não acontece. A notificação dentro da conta só aparece quando uma parcela relevante das impressões cai na regra.
A leitura Connect-IN cabe em três decisões que não custam mídia nova. Primeira: conclua a verificação de anunciante e mantenha os dados da empresa em dia, porque essa situação é um dos sinais declarados de qualificação e é a única parte que está inteiramente na sua mão. Segunda: coloque no calendário uma leitura mensal da aba de políticas da conta, junto com a leitura de resultado. Com janela de seis meses, o custo de descobrir tarde deixou de ser retrabalho e passou a ser perda definitiva do direito de recorrer. Terceira: se a entrega caiu sem você ter mexido em verba, meta ou criativo, e os anúncios seguem aprovados, a hipótese de entrega limitada entra na lista antes da hipótese de leilão mais caro. Ela se confirma na notificação dentro da conta e no formulário próprio de recurso dessa política, não no gráfico de desempenho.
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