O Google desligou o bônus silencioso do Smart Bidding. Se sua meta era 10 e você pagava 5, agora você paga 10.
Na segunda-feira passada, 17 de agosto de 2026, o Google mudou uma regra que quase ninguém sabia que existia — e que sustentava boa parte dos bons resultados de campanha pequena. Até então, uma campanha com status "Limitada por orçamento" usando Target CPA ou Target ROAS costumava entregar melhor que a meta configurada: sem verba para comprar todo o leilão disponível, o sistema ficava só com o tráfego mais barato e o CPA real acabava abaixo do alvo. O próprio Google descreve o novo comportamento sem rodeios: campanhas limitadas por orçamento com estratégia baseada em metas passam a performar de forma mais consistente em direção à sua meta. O exemplo é dele: meta de US$ 10, entrega real de US$ 5 — a partir de agora, entrega perto de US$ 10. Ninguém precisa mexer em nada para isso acontecer. É exatamente esse o ponto.
O alcance é amplo e a lista importa: vale para Pesquisa, Shopping, Performance Max, Demand Gen e Travel, no Google Ads e no Search Ads 360, mais Demand Gen no Display & Video 360. As estratégias afetadas são Target CPA, Target ROAS e — só no Demand Gen — Target CPC. Ficam de fora CPC manual e Parcela de impressão desejada, além de campanhas de App, Video reach e Video view; Hotel e Display já funcionavam assim. E há um recorte que decide se isso é problema seu ou não: campanhas que não são limitadas por orçamento não mudam de comportamento. O detalhe cruel para PME é que "limitada por orçamento" não é exceção — é o estado natural de quem anuncia com verba curta em praça competitiva. Se a sua conta é de Brasília, com orçamento diário travado e demanda maior que a verba, a chance de você estar exatamente na população afetada é alta.
Três ressalvas honestas, antes que isso vire pânico. Primeira: não é aumento de preço nem de gasto — o Google afirma que a mudança não resulta diretamente em aumento de gasto e que os limites de orçamento diário e mensal continuam sendo respeitados; o que muda é o CPA/ROAS que você recebe pelo mesmo dinheiro. Segunda: o leilão não mudou. É uma mudança de lance, não de mecânica de leilão. Terceira: o rollout é gradual e global, então é normal ainda não ter visto efeito na sua conta — e o próprio Google pediu cautela com as previsões do Performance Planner entre 17 e 31 de agosto, porque as ferramentas de planejamento ainda estavam sendo ajustadas ao novo comportamento. Some-se a isso um aviso que vale ouro na hora de julgar o estrago: espere 1 a 2 ciclos de conversão antes de avaliar qualquer número. Quem olhar o gráfico de quinta-feira e trocar de estratégia vai errar duas vezes.
O roteiro prático desta semana cabe em uma hora e tem endereço. Abra o Google Ads → notificação "Revise as metas da sua campanha" → Revisar campanhas, ou vá em Campanhas → ícone de engrenagem ao lado da campanha → Lances → Revisar campanhas: é a Ferramenta de ajuste de metas de lance, no ar desde 6 de julho. Ela mostra, campanha a campanha, a distância entre a meta que você digitou e o que você vinha de fato entregando. A partir daí são quatro caminhos, e a escolha é de negócio, não de mídia. (1) Manter a meta — faz sentido se o alvo digitado realmente reflete o que você pode pagar por um cliente; aceite entregar mais volume a um custo maior. (2) Alinhar a meta ao desempenho real — clicar em "Aplicar" e travar o CPA que você já tinha; preserva a eficiência e deixa a escala para depois. (3) Definir um número próprio, no meio do caminho. (4) Trocar para Maximizar conversões / valor de conversão — tira a meta da equação e espreme o orçamento fixo, ao custo de aceitar oscilação de CPA. Dois avisos finais do próprio Google: ele não ajusta suas metas nem seu orçamento sozinho, e não calcula meta recomendada para campanhas com menos de 7 conversões — nessas, a decisão é 100% sua e precisa vir da margem, não do painel.
A leitura Connect-IN é direta: o Google trocou desempenho gratuito por previsibilidade — e essa troca só é boa para quem sabe quanto vale um cliente. Enquanto a campanha superentregava, muita empresa operou com uma meta desatualizada no campo e um resultado bom no relatório, sem nunca precisar reconciliar os dois. Agora o número digitado virou o número entregue, e o campo "Target CPA" deixou de ser um teto teórico para virar uma decisão de margem. É aqui que a conversa muda de mídia para gestão: se você não sabe o seu custo máximo de aquisição por serviço — considerando ticket, margem e recompra —, você não tem o que digitar naquele campo, e qualquer escolha vira chute. O lado bom, que ninguém deveria desperdiçar: com a entrega colada na meta, aumentar orçamento passa a ser previsível — antes, subir verba em campanha limitada fazia o CPA saltar de forma errática, e era esse o motivo de tanta gente ter medo de escalar. Quem fizer a lição de casa da margem ganha um botão de crescimento que antes era uma roleta.
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