O Google finalmente mostra se a IA cita seu site. São 4 recortes e zero cliques.
O Google acabou de resolver — pela metade — o maior ponto cego do marketing digital em 2026. O relatório de desempenho de IA generativa do Search Console foi anunciado em 3 de junho, mas nasceu restrito: só um subconjunto de sites britânicos, no rastro das exigências da CMA, o regulador do Reino Unido. Em 23 de junho a liberação começou a alcançar outros países e, em 11 de agosto, Barry Schwartz relatou tê-lo encontrado em cerca de 25 perfis — todos os que administra. O Google, porém, nunca anunciou o rollout completo: a página de ajuda oficial continua dizendo que a liberação é para "um subconjunto de proprietários". Traduzindo para quem toca um negócio: é grande o bastante para você abrir o seu hoje, e é normal ainda não estar lá.
O que ele entrega: impressões do seu site dentro dos recursos de IA generativa da busca — AI Overviews e AI Mode —, com quatro recortes: páginas, países, dispositivos e datas. E o que ele não entrega, que importa tanto quanto: não tem cliques, não tem CTR, não tem posição média e não tem as consultas. Também não separa AI Overviews de AI Mode — os dois vêm somados num número único. O Discover tem relatório próprio, à parte (e sem o recorte de dispositivos). Dois detalhes que evitam leitura errada: a série começa em 18 de maio de 2026, sem dados retroativos — não tente comparar com o ano passado; e essas impressões já estavam no relatório de Desempenho geral, no tipo de pesquisa "Web". O que é novo não é o dado, é a visão isolada dele. Não vê o relatório? Normalmente é uma de três causas: o rollout não chegou, o site não tem volume suficiente de impressões em IA (o Google não publica o mínimo) ou existe opt-out ativo dos recursos de IA.
Por que uma métrica incompleta ainda merece sua atenção: porque o buraco que ela mede é real. A referência mais sólida continua sendo o estudo do Pew Research Center, que acompanhou o comportamento real de navegação de 900 adultos nos Estados Unidos em 68.879 buscas no Google, em vez de estimar por curvas de CTR. Quando havia resumo de IA na página, apenas 8% das visitas resultaram em clique num resultado orgânico, contra 15% nas páginas sem resumo — e só 1% clicou em algum link dentro do próprio resumo. Duas ressalvas honestas: os dados são de março de 2025 e a amostra é norte-americana, então sirva-se da ordem de grandeza, não do número exato para o Brasil de hoje. O padrão, porém, é o que interessa: a IA cita você, o usuário resolve ali e não visita seu site. Até agora isso era invisível — a visita simplesmente não acontecia, e não dava para saber se era porque você não apareceu ou porque apareceu e não precisou ser clicado. O relatório separa essas duas hipóteses pela primeira vez.
Na prática, para uma PME, o roteiro desta semana cabe em uma hora. Abra Search Console → Desempenho → IA generativa e veja se o relatório está lá. Se estiver, exporte a lista de páginas por impressão: as que mais aparecem nas respostas de IA são as suas páginas de referência — é nelas que você reforça dado próprio, preço, prazo, endereço, condição, aquilo que a IA precisa citar e o concorrente não tem. Depois, cruze a curva de impressões em IA com a curva de cliques do relatório normal: impressão subindo e clique caindo é o retrato de quem virou fonte sem virar visita — hora de puxar a conversão para dentro do conteúdo (WhatsApp, agendamento, formulário na própria página) em vez de contar com um segundo clique que não vem. Um atalho que quase ninguém usa: as consultas do AI Mode aparecem sim no relatório de Desempenho comum, na dimensão Consultas — é de lá que você tira o "para quê" que o relatório de IA não conta. E não trate impressão como tráfego: é sinal de presença, serve de tendência, não serve de meta.
A leitura Connect-IN é direta: o Google entregou o termômetro e manteve o paciente atrás da porta. Sem consultas e sem cliques no relatório, ele responde "eu apareço?" e deixa "com que resultado?" em aberto — a empresa diz que vai acrescentar métricas com o tempo. Duas notas de contexto que evitam entusiasmo mal calibrado. Primeira: o Google não foi o primeiro. O Bing Webmaster Tools tem relatório de desempenho em IA desde fevereiro deste ano, ampliado em junho, cobrindo citações no Copilot — e ele mostra as consultas, justamente o que falta no do Google. Segunda: para ChatGPT e Gemini não existe painel algum para dono de site; na Perplexity, só parceiros do programa de publishers têm dashboard de citações. A conta completa da sua visibilidade em IA ainda não existe. O que existe agora é o primeiro pedaço dela no maior buscador do país — gratuito, incompleto e melhor do que o nada que havia até junho.
Em uma conversa rápida a gente mapeia onde marketing, dados e IA geram mais resultado pra você.
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